segunda-feira, 28 de junho de 2010

Um dia chuvoso...

Hoje, segunda-feira, 28 de junho de 2010, acordei às 05h30min de uma manhã chuvosa. Depois de ontem seria impossível não contemplar o brilho do sol, pois tudo voltou a brilhar, e como diz uma amiga, “está tudo azul”...
O mundo vive e respira a copa do mundo (é incrível como o mundo, as pessoas e até mesmo a vida para por isso). Ontem, dia 27 de junho, jogou a Argentina e o México pelas oitavas de final da copa do mundo, mas eu fui ao cinema iluminar um pouco mais a minha vida.
Confesso que acordei ainda pensativo com o que vi. Trata-se de um filme com uma beleza que marca e nos deixa ainda mais poéticos, perdi o sono, ou seja, o azul do sol brilhou em meus olhos e trouxe-me até aqui para compartilhar um pouco de sentimentos... Sentimentos que voltaram a iluminar-me, mesmo depois de um feriadão nada agradável, só o filme para lembrar-me que sou poesia pura e simples.

Hoje será um dia chuvoso mas com certeza de brilho azul. Volto a ter “motivos” para dizer que:

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.


Cecília Meireles



Por isso, "se ao menos houvesse uma equação matemática para o amor", eu a chamaria de Mary e Max...

Carlos Vieira
28 de junho de 2010, às 06h25min de uma manhã chuvosa, mas por dentro de mim está tudo azul...


Crítica: Mary e Max
Érico Borgo
15 de Abril de 2010


Mary & Max (Mary and Max, 2009), animação longa-metragem de stop-motion escrita e dirigida por Adam Elliot, é uma exploração de improbabilidades. O filme tem em sua premissa uma chance ínfima e acaba ele mesmo um em um milhão: uma produção com personagens de massinha que resulta absolutamente tocante.
Depressivo no tom e no visual (seria mais sensato chamá-lo de desenho "desanimado", já que muito pouco efetivamente acontece na tela), o filme acompanha dois personagens solitários, cujas vidas se cruzam pelo maior dos acasos: uma página aleatória aberta em uma lista telefônica. Motivada por uma dúvida infantil, a australiana Mary Daisy Dinkle, 8 anos, decide escrever ao nova-iorquino Max Jerry Horowitz, 44 anos. Junto à carta, alguns desenhos, uma barra de chocolate e a dúvida: "de onde vêm os bebês nos Estados Unidos". A correspondência inocente muda a vida de ambos para sempre, iniciando uma história que transcorre por mais de uma década.
A direção de arte é inspiradora. Elliot, dono de um Oscar de curta animado (Harvie Krumpet, 2003), opta por protagonistas caricatos e quase malfeitos de tão simples. Os cenários são muito mais ricos - a Austrália e seus tons terrosos contrastando com a cinzenta Nova York. É tudo proposital. Enquanto uma Pixar capricha em seus personagens principais por dentro e por fora, o animador se arrisca em recheá-los de dor e dúvida, sem uma superfície fofinha e cativante.
Com o palco montado, inicia-se uma longa e verborrágica discussão filosófica sobre religião, vida em sociedade, sexo, amor, confiança e, principalmente, a importância e o significado da amizade. As cartas também refletem a caótica estrutura racional de remetente e destinatário, sempre com um monotonia instigante. Idéias brilhantes ("se ao menos houvesse uma equação matemática para o amor") surgem e são abandonadas em função de outra melhor, mais inocente ou simplesmente irrelevante.
Apesar de tratar de um tema quase extinto, os "pen pals", amigos de correspondência, algo bastante comum poucas décadas atrás, Mary & Max encontra reflexo curioso na modernidade de redes sociais e programas de mensagens instantâneas. Memórias de amigos virtuais não se apagam mais queimando-se as cartas... mas nos blocks e deletes de perfil.
Toni Collette (Pequena Miss Sunshine) dubla Mary e Philip Seymour Hoffman (Capote) empresta uma irreconhecível voz a Max. O personagem, aliás, é do tipo que o ator oscarizado aprecia. Mas falar mais sobre ele arruinaria algumas surpresas. Fique com a certeza que os personagens podem ser de massinha, mas o suor e as lágrimas que eles vertem são assustadoramente reais e perturbadores.

Um comentário:

Stéll Albuquerque disse...

Eu quero assistir esse filme, quero entrar nessa atmosfera tbm. (: