quinta-feira, 29 de julho de 2010

Seja bem-vinda, Paralellus!

Seja bem-vinda, Paralellus!


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Número Inaugural da Paralellus
Revista Eletrônica dos Estudantes do Mestrado em Ciências da Religião da UNICAP
Ano 1, n. 1, jan./jun. 2010
Apresentação
Prof. Dr. Gilbraz de Souza Aragão
Coordenador do Mestrado em Ciências da Religião - UNICAP
O conceito de Ciências da Religião, cunhado por Max Müller (1823-1900), deu origem a uma área acadêmica que busca esclarecer a experiência humana do sagrado. Sobre a base da história geral das religiões, ergue-se o estudo comparativo das religiões, que aborda as religiões e seus fenômenos com questionamentos sistemáticos. Ele forma categorias genéricas e se esforça para apreender o mundo dos fenômenos religiosos de tal modo que transpareçam linhas fundamentais, sobretudo fazendo uso da fenomenologia. Enquanto a história das religiões constitui a base das Ciências da Religião, a pesquisa sistemática das religiões deve mostrar semelhanças e diferenças de fenômenos análogos (sobre o sagrado) em diversas religiões e apresentar a hermenêutica dos “textos” sacros em seus contextos. As relações entre religião e suas condições contextuais são então aclaradas por distintas disciplinas.
Leia na íntegra essa a Apresentação e veja o Sumário do número inaugural da Revista Paralellus no Blog "Ciências da Religião na UNICAP.
Clicando na imagem é possível baixar a edição integral da Revista.
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Aproveito para parabenizar aos professores e alunos do Mestrado em Ciências da Religião da UNICAP pelo lançamento deste novo meio de divulgação do estudo científico das religiões.
Que seja bem-vinda, Paralellus! E que tenha longa vida!
Augusto Araujo
Em Campina Grande, Paraíba
Texto extraído do blog http://mansoes.blogspot.com/ 

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Só Mafalda salva




ler pra crescer Cristiane Rogerio Colunista Leitura

Só Mafalda salva
A faixa etária ideal, o tema adequado, a linguagem apropriada: quem é que deve nos dizer o que é bom ou não para a criança ler?
Cristiane Rogerio
  Divulgação
O primeiro livro que meu marido, Ricardo, leu sozinho continha uma compilação das tiras de Mafalda, a inesquecível e contestadora menina criada pelo argentino Quino. Para mim, ela é uma amiga de Emília, de Lobato, pronta e ávida por fazer perguntas, mesmo que as respostas não venham a tempo. Afinal, o que estas crianças nos lembram sempre? Que não podemos parar de fazer perguntas!

Bem, não sei se era exatamente uma leitura para ele ler criança, lá nos seus 6, 7 anos... Mas que funcionou, funcionou. Explico: o que ficou nele foi a lembrança de ele e a mãe juntos e a conquista de ler sozinho pela primeira vez! É assim que Mafalda faz parte do desenvolvimento do Ricardo. Do desenvolvimento e de sua história.

E é ela, Mafalda, que está em nossa cabeceira. Ele e eu revezamos a releitura das tiras com excelentes sacadas, daquelas que me fazem parar e pensar e ficar nelas por vários minutos. E como são atuais! Coincidência ou não, a WMFMartins Fontes está lançando outros dois livros de Quino, como Humanos Nascemos, com a mesma ironia e precisão na crítica à sociedade. E não é para isso que aprendemos as letras? Para ler melhor o mundo em que estamos?
Semana passada, em uma excelente conversa com a especialista Silvia Oberg, responsável pela indicação dos livros das bibliotecas municipais de São Paulo, nós também falamos de irreverência, de politicamente correto, do jeito de tratar a criança. Do jeito que a criança merece ser tratada por um texto ou ilustração. E, claro, falamos de Monteiro Lobato, que escancara ao leitor desde a primeira obra a vida como ela é. Fala de guerra, de compaixão, de solidariedade, de ciúmes... ao mesmo tempo em que fala de fantasia, de possibilidades. E é por este respeito à criança que vamos lembrar destes autores a vida toda.
Ricardo Fiorotto


Cristiane Rogerio é editora de Educação e Cultura da Crescer e adora se perder entre os livros.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

CIÊNCIAS DA RELIGIÃO NA UNICAP: VIVER, POR AMPARO

CIÊNCIAS DA RELIGIÃO NA UNICAP: VIVER, POR AMPAROA professora Maria do Amparo Rocha Caridade faleceu na última quarta-feira (30) e suamissa de 7º dia será hoje (5), às 19h30, na Capela da UNICAP. A gente se via mais nas caminhadas pela praia de Olinda, mas no final do ano passado oferecemos um curso juntos na Universidade, "Reinvenções do Envelhe-Ser", onde, entre outras coisas, tratamos da Felicidade como Construção e da Finitude como Desafio. Naquela ocasião rimos muito, ao observar que tínhamos trocado de papéis em nossas abordagens: eu estava mais psicólogo e ela, mais teóloga - se bem que "toda antropologia acaba teologicamente e toda teologia termina antropologicamente"! Mas a veia mística de Amparo revelou-se-me mais punjante no relato de êxtase que fez no dia 20 de junho, quando saiu do hospital, após doze dias de internação. É diante das ausências - e não há maior do que o pressentimento da vida que se esvai - que a gente prova e comprova os amores e crenças que cultiva. Seguem as suas palavras:

VIVER

Confinamento inevitável, adoecer demorado. Depois a luz cheia de graça. Inusitada. Força total se impunha sobre mim. Jamais havia visto, tocado, sentido, algo parecido, tão arrebatador, tão especial. A luz tomou conta e se apossou da treva, passou da treva para a luz. Até ali desconhecia aquela força de beleza encantadoramente nova. Devia ser um êxtase. Fora e muito dentro de mim eu estava ali, inteira como jamais pude me imaginar. Longe de qualquer conceito, ou pensamento. Era simplesmente Amparo. Atravessada por algo intenso, desconhecido. Cena destinada à eternidade. Possuída, tomada, arrebatada, o sol tocou minha pele, com ternura jamais sentida. Perfeito. A experiência foi divina, humana, diferente. Não mais a mesma. Outra Amparo, mais bonita, energia pura, nascimento sem volta. Caixa de surpresas fazendo ver que dentro de mim há muita beleza a descortinar. Vi beleza por onde jamais vira antes, e o meu Recife estava estonteantemente encantador. A luz do sol sobre o Recife me enfeitiçou. Possuída, já não dá mais como ser a mesma. Outra Amparo busca agora dimensões ainda não sentidas. Outra Amparo se aninha num viver, cuja busca de dimensões ainda não foram sentidas. Possuída dessa força com a qual não pude me debater, entreguei-me. Experiência não pede licença. Impõe-se. Não era eu. Era arrebate. Era outro ser que eu não dominava, não queria dominar, apenas experimentar. Entregue, vi o belo. Não era eu que via, sentia. Algo se impunha. Era encantamento de outro nascimento.

Quem dera isso não passasse! Que meus olhos se perdessem tontos dessa beleza e sentido. Não quero ser mais a mesma. Quero muito mais. Invadida, envolvida, tomada pela força da vida entreguei-me. Quero olhos sentindo o que a vida tem de mais belo a ser revelado. A alegria de ser simplesmente um ser vivo que tem a chance de mergulhar na intensidade, sem medo de nela se perder. Desconhecia minha cidade tão bela, pessoas tão encantadoras. Demorei a voltar do encantamento. Meus olhos acostumados ao ordinário agora querem mais; querem intensidade e beleza sem ponto final. Delas não quero mais me perder.

Tudo perfeito. Divino. Nasci ali para algo diferente, nascimento sem volta. Atravessada por belezas intensas. Cena destinada à eternidade. Eu não sabia dessa experiência. Foi divina. Humana. Será imortal. Foi apenas o começo.

Dentro de mim há muito para descobrir, beleza para enxergar, vida para sentir. Outra Amparo se aninha no meu existir, busca dimensões ainda não percebidas.

Quem dera isso não passasse. Quem dera meus olhos ficassem embriagados de beleza e sentido. Não posso mais ser a mesma. Quero muito mais. Invadida, envolvida, tomada pela força da vida entreguei-me. Meus olhos sentiam. Acostumados ao ordinário agora querem mais, querem intensidade, beleza sem ponto final. Delas não quero mais me perder.

Bendita doença que me possibilitou essa revolução. A felicidade de me transformar num ser que ama e dignifica o existir. Sem medo de ser feliz.

Amparo Caridade.