quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Um tempo para ganhar tempo!!!

Um tempo para ganhar tempo!!!
Por Carlos Vieira


Embarquei no ultimo sábado (02/10) para São Paulo, mas especificamente para a cidade de São Bernardo do Campo com o objetivo de avançar no processo de escrita da minha dissertação de mestrado em Ciências da Religião, através de um convênio entre a Universidade Católica de Pernambuco e a Universidade Metodista de São Paulo. O curioso é que a minha pesquisa começou durante vôo, que por sinal foi longo o bastante para não se perder tempo. Durante a viagem, comecei a ler uma revista que estampava como matéria de capa uma entrevista com o ator Pernambucano Irandhir Santos, até então desconhecido para mim, ao avançar com a leitura da entrevista eu tive a grata surpresa de saber que Irandhir foi o protagonista do filme “viajo porque preciso, volto porque te amo”, um dos melhores filmes que já vi. Um filme apaixonante, poético e deixa qualquer um em êxtase. Durante o longa Irandhir vive o papel do geólogo José Renato, apaixonado pela esposa, que precisa fazer sozinho uma longa viagem pelo sertão nordestino. Longe dela, ele terá que realizar uma pesquisa de campo para definir o possível percurso de um canal, que irá amenizar o problema da seca na região. Apesar de a construção ser um alívio para muitas populações, pode ser um grande problema para aqueles com quem Renato cruza, já que provavelmente a região será alagada. José Renato, não aparece em cena; o espectador apenas ouve a sua voz. Avaliando o terreno, ele percebe na seca e na pobreza daquelas pessoas uma sensação parecida com a que está tendo. Apesar de não ter dificuldades com a falta de recursos, José Renato sente um grande vazio, pela distância da mulher que ama. À medida em que a viagem avança, as saudades ficam cada vez maiores, e a distância física dela parece ser o menor dos problemas entre os dois. Selecionado para o Festival de Veneza, onde fez sua premiére mundial, Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo é uma obra experimental realizada pelos cineastas Marcelo Gomes, de Cinema, Aspirinas e Urubus, e Karim Aïnouz, de Madame Satã e O Céu de Suely. Para o longa, os diretores usaram imagens não utilizadas em seus filmes anteriores, incluindo o documentário Sertão Acrílico Azul Piscina, que também filmaram em conjunto. O ator Irandhir Santos, que vive José Renato no longa, não aparece em cena; o espectador apenas ouve a sua voz.
Agora Irandhir está mais uma vez em cartaz com o filme Tropa de Elite 2 de José Padilha, fazendo o papel de Diogo Fraga, um defensor dos direitos humanos que, segundo o ator, “diz não à política de segurança pública, uma política de repressão contra os pobres, os moradores dos morros”. Em outras palavras, ele bate de frente com o ex-capitão, agora coronel Nascimento (novamente interpretado por Wagner Moura)? “Ele peita qualquer personagem que seja a favor dessa truculência, desse domínio vigente. Qualquer um mesmo, até o Nascimento, se ele foi a favor dessa política”, disse Santos ao UOL Cinema. O personagem foi um convite de Padilha, que também tinha ouvido só elogios sobre o ator vindos do diretor de fotografia Lula Carvalho e da respeitada preparadora de elenco Fátima Toledo, que havia trabalhado com Santos em “Besouro” (2009) e em “Quincas Berro D’Água”. Fraga, segundo o ator, foi inspirado no deputado estadual carioca Marcelo Freixo (PSOL). “Ele e a Fátima me ajudaram muito a construir esse personagem. Mesmo antes de começar a preparação, fiz pesquisas sobre o assunto e o nome dele sempre aparecia ligado à defesa dos direitos humanos no Rio. Quando fiquei sabendo que o Diogo era baseado nele, me emocionei”, admite. O político, inclusive, não apenas ajudou na preparação para o personagem, como também visitou o set diversas vezes e acabou fazendo uma ponta no filme, na plateia durante um debate.
Santos, que no longa contracena bastante com Wagner Moura, Maria Ribeiro e Pedro Van Held, disse que só percebeu a dimensão do filme quando as filmagens encerraram e ele voltou para sua casa, em Recife, e todo mundo começou a perguntar como seria “Tropa de Elite 2”. “Isso nunca tinha me acontecido antes. Todo mundo está curioso para saber como será. O que eu posso adiantar é que, com certeza, o filme vai levantar muita discussão, pois esse é o ponto forte do cinema do Padilha, trazer à tona questões importantes que precisam ser discutidas”.
Lições que a gente veio tirando, já no avião, antes de pisar em São Paulo: os nordestinos e as suas coisas e temas são mais importantes do que a gente imagina (é preciso viajar pra descobrir!). E mais: quando a gente tem o que dizer, não precisa nem aparecer muito... acaba sendo reconhecido. É assim também com as coisas sagradas, que se impõem sempre de novo, em todo canto. Como “o coração tem suas razões, que a própria razão desconhece” (Blaise Pascal), vim pesquisar sobre o lugar da religião num mundo pós-moderno e já percebi que “o essencial é invisível aos olhos” (Saint Exupéry).

Vim para São Paulo porque preciso e voltarei para Recife porque a amo...

São Bernardo do Campo / SP
06/10/2010

Referências:


3 comentários:

José María Souza Costa disse...

Estou sempre lendo teu blog.Muito bom. Por isso venho lhe convidar a seguirmos juntos por ele.Para eu ler e interagirmos
Ficamos gratos Abrass
E seguimos por aqui
http://josemariacostaescreveu.blogspot.com

Jéssyka Cruz disse...

Bem interessante seu post...gostei bastante do história do livro e vou correndo procura-lo!
bjão

Pedro Manoel disse...

Texto fantástico Carlos!
Gostei das conexões tecidas entre o tempo, o amor e a terra. E refleti, o quanto ficamos mais sensíveis quando estamos longe do nosso lugar (terra) e de quem se ama.
Grande abraço,
Pedro Manoel.