segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

100 anos sem Machado de Assis

O centenário de morte do grande escritor Machado de Assis foi em 2008. Mas ao ler o belo texto postado logo abaixo, escrito pela professora Dra Maria Clara Lucchetti Bingemer, não poderia deixar de publicar. Portanto, segue abaixo o texto na íntegra, extraído do site da autora que encontra-se no link http://wwwusers.rdc.puc-rio.br/agape/vida_academica/artigos.htm


Por Maria Clara Lucchetti Bingemer



"(…) Assim são as páginas da vida,
como dizia meu filho quando fazia versos,
e acrescentava que as páginas vão
passando umas sobre as outras,
esquecidas apenas lidas".

“Suje-se Gordo!”



Tão genial e suficiente em si mesma é a obra do "bruxo" do Cosme Velho, como era chamado Machado de Assis, que se torna difícil dizer algo sobre sua pessoa e seu talento.  Tendo tudo contra si,  -  mulato, pobre, gago, epiléptico – Machado no entanto é uma prova viva de que a musa é gratuita tanto quanto caprichosa e que o gênio é doado por Deus sem acepção de pessoas.
O menino pobre e mulato que não pôde sequer ser enterrado ao lado de sua amada esposa Carolina por ser mulato, hoje é imortal.  Não há quem não conheça esse carioca obscuro que  se tornou o maior escritor brasileiro e que sem dúvida merece a veneração que suscita à sua volta. 
Machado de Assis é sem dúvida uma das muitas glórias do Rio de Janeiro, sua cidade natal.  O Rio era a capital do Império brasileiro quando ele nasceu em 1839, no Morro do Livramento, filho de uma lavadeira e de um operário e neto de escravos. O pequeno Joaquim Maria Machado de Assis só freqüentou a escola primária, mas seus pais sabiam ler, o que era raro na época tanto em famílias de pretos quanto de brancos.
O menino pobre aprendeu a ser tipógrafo e começou a escrever. Aos 15 anos, publicou o primeiro poema. Começou a escrever artigos para jornais. Aprendeu sozinho francês. Depois, inglês. E depois foi escrevendo as obras que hoje são obrigatórias para quem quer conhecer o Brasil, a literatura brasileira, a língua portuguesa e o Rio de Janeiro. 
Machado de Assis deixou uma visão irônica, pessimista e lúcida da vida carioca no fim do Império e começo da República, tempo em que viveu. O Rio de Machado era uma cidade pobre, mas enfeitada. Provinciana, mas pretensiosa. Com sua cortante lucidez, Machado não idealiza sua cidade. Apesar de apreciá-la e amá-la, não deixa de expor suas chagas, que eram muitas.
Vista de cima, assim do alto,  a cidade de Machado de Assis continua tão linda quanto era em sua época , no século 19. Mas naqueles tempos as ruas fediam. Havia assaltos à mão armada com navalha, os escravos eram maltratados por seus donos e mais de 84% da população eram analfabetos. O Rio de Janeiro que aparece nos romances, nos contos, nas crônicas e na poesia de Machado de Assis está longe de ser um Rio idealizado.
O bairro do Cosme Velho, onde Machado de Assis viveu o fim da vida, aparece pouquíssimo em sua obra. Sua casa foi demolida. Esse viúvo solitário, inconsolável com a perda da “pobre querida” Carolina , ia diariamente à Academia Brasileira de Letras, da qual foi um dos fundadores e onde podia dar asas a seu incontido amor pela palavra escrita.
Foi através dessa escrita que deixou registrada, além de todas as suas criações literárias que até hoje povoam a imaginação dos letrados e ensinam os iletrados a ler e escrever, a paixão pela cidade que lhe deu os meios com que passou da obscuridade  à glória.
Há 100 anos sem Machado de Assis, o Rio de Janeiro continua lindo.  E pobre, e sofrido, e violento.  Algumas de suas ruas ainda cheiram mal, ainda são esburacadas. E continua havendo meninos pobres , mulatos, gagos e epilépticos que não têm o seu gênio.  E que sobrevivem nas esquinas lavando vidros de carro ou fazendo acrobacias com laranjas e limões.  Quando não caem nas mãos mortíferas do tráfico como aviõezinhos.
Que Deus salve a memória de Machado de Assis.  E que as novas gerações vejam em sua vida o exemplo eloqüente que a avidez do conhecimento é o melhor antídoto para crescer e tornar-se realmente pessoa.  Machado de Assis, sem dúvida um vencedor apesar de sua origem humilde, é prova disso. 

4 comentários:

Danilo Sergio Pallar Lemos disse...

Uma data para refletir, pois o que avançamos no nascimento de novos valores.
www.vivendoteologia.blogspot.com

Cristiane Alberto disse...

Carlos, sou suspeita pra falar de Machado. O que sinto por sua literatura é algo assim... indizível. Sim, Machado era um bruxo, um grão-vizir dos deuses ou uma ressonância magnética para almas. Machado olhava e via - simples assim. Nele a dinâmica de absorver, processar e expelir impressões era perfeita. Falava de gente como quem fala de gente, sem artifícios transbordava para o papel toda beleza e imundícia de que são feitos os seres humanos, por isso ele é tão atual.

Machado de Assis é clássico, como o amor deve ser.

Obrigada por compartilhar tão belo texto sobre o Mestre.

Fernando Marques disse...

oi tudo bom??

gostei das suas postagens, e vim lhe pedir um favor, sou um blogueiro novo de moda e queria lhe pedir que visitasse meu blog, comentasse e me seguisse por favor, vou te seguir tbm.
faço croquis de moda tbm e tenho um site recem lançado XD vou leh dar o endereço caso voce queira visitalo.

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MAILSON FURTADO disse...

Belo post!

Belo blog, muito bom mesmo!

Paressarei aqui mais vezes...

Convido a a conhecer o meu trabalho (Música, poesia, teatro)...

Ficaria feliz demais!!!

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